Famílias denunciam grupo por golpe em venda de curso de Bombeiro Mirim em Pouso Alegre

Famílias denunciam grupo por golpe em venda de curso de Bombeiro Mirim em Pouso Alegre

Famílias de Pouso Alegre denunciam um grupo suspeito de aplicar um golpe na venda do curso de Bombeiro Mirim na cidade. De acordo com as denúncias, o golpe é aplicado em 17 cidades nos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais.

Luiz Henrique Rodrigues matriculou a filha de oito anos em um curso de Bombeiro Mirim. A grade curricular oferecia várias disciplinas, incluindo prevenção de acidentes.

“O que aconteceu é que em um primeiro momento eles quebraram o contrato com a escola onde seria passado o treinamento. As primeiras aulas não tinham um professor fixo, cada dia era um professor. Ai eles quebraram o contrato e foram para um espaço em que funcionava uma igreja, nada preparado para aquilo que o curso oferecia. Ficaram duas aulas com um voluntário e de lá foi para uma escolinha. Tentaram aplicar o curso, mas não sabemos o porque não conseguiu. A gente vem trazendo isso ai há mais de seis meses”, destacou ele, que é mecânico de manutenção.

Ele contou, ainda, que antes de comprar o curso, acompanhou uma apresentação presencial. Mais de 30 pais participaram com os filhos e foram convencidos a fazer o investimento. A taxa de matrícula foi de R$ 900.

“Ai cancelaram, não entraram em contato com a gente, não ressarciram. A gente tentou entrar em contato com eles, e não nos dão resposta mais. É essa frustração na cabeça nossa e das crianças”, falou.

A filha da empreendedora Flávia Maria Nunes Tawse tem o sonho de ser bombeira. Frustrar essa vontade deixou a mãe ainda mais indignada com a situação.

“Ela ficou louca para ir, foi na apresentação. Queria muito que tivesse ocorrido o curso, só que foi uma decepção”, disse Flávia.

Em um aplicativo de mensagem, a primeira justificativa para a não realização do curso seria problemas financeiros. Depois, por telefone, os pais foram informados de mais um adiamento que teria ocorrido devido à Covid-19.

Após registrarem boletim de ocorrência, procurarem advogado e pesquisarem na internet, os pais descobriram que o golpe está sendo aplicado também em cidades de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

Os pais foram orientados a fazer uma representação também na Polícia Civil. Segundo o delegado Ricardo Lopes, é necessário que isso seja realizado devido a uma mudança na lei ocorrida em 2021.

“Sem que o ofendido procure a delegacia para oferecer essa representação, o inquérito policial não vai ter início, as investigações não vão iniciar apesar de registrado o boletim de ocorrência junto à Polícia Militar. Precisamos que as vítimas venham até nós na delegacia e ofereçam a representação, trazendo as provas que elas tenham como comprovante de transferência bancária, conversas [em aplicativos de celular]”, explicou o delegado da Delegacia de Defraudações, Ricardo Lopes.

O delegado salientou que não há informações de que o golpe seja aplicado por empresas, mas sim por pessoas de maneira isolada ou em organizações criminosas.

“A gente não tem notícias de que empresas estejam praticando, os crimes são praticados por pessoas naturais, na maior parte das vezes organizações criminosas com dois, três, quatro, cinco ou mais indivíduos praticando esse tipo de crime”, disse.

O responsável pela delegacia de fraudações destacou, ainda, que os envolvidos podem sofrer penas de um a cinco anos de reclusão. A pena vai depender dos tipos e da quantidade de crimes praticados, além de quantas pessoas foram lesadas.

Por g1

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